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dezembro 29, 2003
Ainda o Natal...
Sabiam que o Natal é a "cristianização" de festividades pagãs? E que foi um papa que instituiu a Natividade a 25 de Dezembro? E que a verdadeira data de nascimento de cristo era uma incógnita total? Pois leiam.
Natal Origem
O Natal é a cristianização das festividades pagãs dos Romanos por ocasião do Solstício de Inverno. Eram várias as festas e rituais que nessa altura do ano os Romanos faziam. Destacam-se as Saturnais, entre 17 e 24 de Dezembro, tipicamente romanas (com trocas de prendas e festas alegres) e também as de Mitra, deus persa e "Sol da Virtude" ("nascido" a 25 de Dezembro) esta uma importação dos cultos solares do Médio Oriente, que se difundiu no Império à custa das legiões, que desenvolviam sincretismos religiosos com grande facilidade. No final do mês, ocorriam ainda as festas das Sigilárias - de Sigillaria, as festas das imagens, em que se ofereciam estatuetas como presente e se decoravam as casas com verdes, para além de se darem prendas às crianças e aos pobres. Correspondiam ao fim do ano romano. Todas estas festividades eram envoltas de um ambiente diferente, pois, por exemplo, nas Saturnais (Saturno, deus dos cereais e da agricultura, da prosperidade enfim, o Cronos dos gregos) os escravos eram alforriados por um dia, transformando-se em senhores e sendo servidos por aqueles que os possuíam.
O culto oriental de Mitra, solar, que se expandiu no Mediterrâneo Oriental principalmente nos séculos III e IV a. C., atraiu imenso os romanos devido aos sacrifícios rituais de animais (um touro, simbolizando a energia e força do Sol), assumindo semelhanças com o futuro Natal cristão pois acreditava-se que um pequeno sol nascia sobre a forma de uma criança recém-nascida. Também os povos germânicos e os celtas influenciaram o Natal Cristão, introduzindo elementos novos na futura festividade de Natal, que nasceu mais ou menos quando destruíram o Império Romano do Ocidente.
O Natal Cristão
Apesar de todas estas festividades pagãs em torno do solstício de Inverno, os cristãos dos primeiros séculos não festejavam ou sequer conheciam o Natal, pois davam maior importância à Páscoa da Ressurreição de Cristo, numa reminiscência do Judaísmo de onde derivava o Cristianismo. A Páscoa representava um momento capital na tradição judaico-cristã e dos textos bíblicos, com uma carga simbólica de sacrifício que tocava mais aos cristãos do que o nascimento de cristo, envolto em dúvidas e imprecisões, tanto que o culto a Maria só quatro séculos d. C. se começou a praticar e o de São José ainda mais tempo demorou a aparecer. Em 245, Orígenes, por exemplo, recusava a ideia de festejar o nascimento de Cristo, "como se fosse Ele um faraó". Assim, em pleno século IV, já depois da viragem de Constantino (313), em que o Cristianismo deixou de ser perseguido e se impôs como religião maioritária no Império, os cristãos, sem o temor da intolerância ou da morte na arena, começaram a cristianizar as festas pagãs no Ocidente, entre os quais as de Dezembro. Num almanaque romano de 336, há já uma alusão a um festejo do nascimento de Cristo por alturas do solstício de Inverno.
Em 354, o papa Libério (17 de Maio de 352-24 de Setembro de 366) instituiu a Natividade a 25 de Dezembro, de forma a assimilar as festas pagãs e a cristianizá-las. Esta data apareceu primeiro nas igrejas do Império Oriental (de tradição grega), que também marcaram o dia 6 como o dia da Epifania ("manifestação"), que no Ocidente corresponde à visita dos Reis Magos. A verdadeira data de nascimento de Cristo era uma incógnita total.
Apesar da sua cristianização, as festas pagãs nunca desapareceram completamente do imaginário e do quotidiano das populações. Ainda que a celebração da Natividade a 25 de Dezembro fosse o momento mais importante, não se abandonaram as tradições antigas, que passaram a ter um carácter de fé. As prendas das Sigilárias foram substituídas pelas oferendas dos reis Magos, em termos simbólicos, a luz do Sol era a nova "Luz do Mundo" trazida pelo nascimento do Redentor. Na Bíblia existiam também alusões ao simbolismo de Cristo como "sol de justiça" (Ml 4,2) e "luz do mundo" (Jo 8,12), o que tornou mais fácil a cristianização das festas pagãs, para além de que foi na colina do Vaticano que se fizeram as primeiras festas do Natal: era nesse local também que tinham lugar os rituais e oferendas às divindades orientais (Mitra, outros cultos solares...). Cristo era também oriental, visto ter nascido na Palestina, o que facilitava a assimilação ordenada por Constantino.
As Tradições do Natal
Com o tempo surgiram as tradições natalícias que foram suplantando o valor eligioso do Natal e abriram a festa a manifestações mais profanas, ainda que outras tenham surgido como forma de homenagem e louvor ao Cristo Menino. Neste último caso, assume importância especial o Presépio, "inventado" por São Francisco de Assis em 1224, em Greccio, numa representação ao vivo e plena de fé e recordação vivencial da Natividade de Cristo. Muitos conventos franciscanos começaram a repetir a iniciativa do Santo de Assis e depois outras casas monásticas e da Igreja, por vezes da nobreza. Mas só no século XIX é que conheceu uma popularização exponencial, chegando desta feita ao povo. O peru faz parte das tradições profanas, trazido pelos espanhóis no século XVI e que gradualmente substituiu na mesa dos nobres as aves mais caras e de difícil obtenção, como o faisão ou o cisne. Americanizado novamente, reconquistou a Europa e chegou a Portugal na segunda metade do século XX, mais como imitação do que como tradição. Outros elementos, como o Pai Natal, o pinheiro (difundido no século XIX) e sua iluminação (o fogo e as luzes simbolizam uma longa vida e a alegria) ou as prendas assumem também um carácter mais profano em relação ao sentido cristão do Natal, ainda que relativamente ao "velhinho de barbas" haja uma reminiscência de S. Nicolau de Bari, um santo italiano que distribuía prendas entre as crianças pobres (em alemão, o diminutivo carinhoso era Klaus , de Niklaus , daí o nome por que o santo é conhecido no mundo germano-anglo-saxónico), sendo depois conotado com o Pólo Norte (1885 e 1927) e mais tarde, imortalizado na publicidade de Inverno da Coca-Cola.
Fonte: Infopédia
Publicado por Giesta às dezembro 29, 2003 10:47 PM