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outubro 06, 2003
Porque não se nasce quando se quer?
A Giesta continua em grande. Sempre a ouvi do Norte quando eu falo do Sul. Isto para dizer que gosto muito de ler esta miúda. Caramba, escreve uma tese de mestrado que ninguém vai ler a não ser o orientador e mais meia dúzia de conhecidos (estou em pulgas para que a minha se escreva a si própria), trabalha num sítio fantástico, uma editora (de livros!, embora não das minhas favoritas. Por falar nisso, anda por aí uma febre de pequenas editoras muito interessante: desperta-me o interesse a Cavalo de Ferro, já me conquistou a Canguru) e é casada com um argentino. Daqueles mesmo da Argentina, aquele país fantástico que nunca conheci.
Já há largos anos que sonho com a Argentina. Vista daqui, é um país que fascina por parecer misturar de forma perfeita a alegria e ligeireza do povo sul americano com um pouco do fado português. E assim resulta um tango interessantíssimo. Além do que quem se lembrou de chamar tango ao tango, só pode ser visionário. E ter uma capital de nome Buenos Aires? Os argentinos sabem-na toda. Têm ainda o fim do mundo!!! Para arrumar a questão de vez, têm o Rio da Prata, Montevideo ali ao lado para relembrar que Buenos Aires é que é. Têm os clássicos Piazolla e Borges - que já explicou a diferença fundamental entre Portugueses e Espanhóis, num tiro certeiro (bem que procurei uma referência na Net, mas às vezes até esta falha - de qualquer forma a diferença é simples: o Português vive na tristeza de ter perdido o Império; o Espanhol julga que ainda o tem). No final, a língua espanhola na boca dos argentinos é bem mais bonita que a falada aqui ao nosso lado.
Bem, mas a Argentina é assunto que dá pano para mangas. Hoje ainda quero reflectir sobre outra cena. A Bomba convenceu a Oficina a publicar os escritos deste tipo, com o argumento de que ele era melhor que o Luiz Pacheco. Ora, isto fez-me pensar. As associações de ideias que uma pessoa faz... O Luiz Pacheco era um amigo do meu avô. Bem que a minha avó passava as passas do Algarve quando o Luiz lá aparecia (isto pelo que conta a minha mãe). Aliás, esta é uma história que nem conheço bem. Por isso mesmo, e é aqui que eu quero chegar: o meu avô é a personagem mais fascinante que nunca conheci. Só por isso valia a pena ser uns anos mais velho.
Publicado por Alecrim às outubro 6, 2003 03:55 PM