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outubro 05, 2003

Passeio das Flores - ALVAIÁZERE

Hoje, na nossa primeira edição de Passeio das Flores um concelho desconhecido por muitos, mas que é uma pérola na Região Centro.
Aqui fica a nossa sugestão... Alvaiázere


(orelhas.pt)

Al-Bai-Zir (toponíma árabe) ou Alva-Várzea poderão estar na origem da denominação de Alvaiázere.

Com mais de oito mil habitantes, Alvaiázere tem a sua população dividida entre sete freguesias, que se distribuem ao longo de uma área geográfica de 161 quilómetros quadrados.
O concelho faz fronteira com Ansião, Pombal, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Ourém e Ferreira do Zêzere, distanciando-se a cerca de 60 quilómetros de Coimbra.

Recuando até aos primórdios da povoação, encontram-se vestígios da passagem de romanos e mouros, como as moedas encontradas perto de Pelmá, a estrada romana que ligava Tomar a Conímbriga e, ainda, as ruínas de um antigo castelo mouro.
Alvaiázere recebeu o primeiro foral em 1200, pela mão de D. Sancho I. Em 1388, é elevado a vila por D. João I que lhe concede novo foral.
Quase meio século depois, D. Duarte faz a doação da vila à sua mulher, a rainha D. Leonor. Em 1514, o rei D. Manuel I concede novo foral a Alvaiázere e torna o Duque de Cadaval seu donatário.
Por entre vales e encostas, cobertos de vinhas e oliveiras, a economia de Alvaiázere assenta essencialmente no sector primário, onde se destaca a produção de azeite, produto tipificado e integrado na Denominação de Origem "Azeite do Ribatejo".
O sector secundário foi, no entanto, o predominante durante o século XVII, tendo uma grande importância o Engenho da Machuca — engenho real, que produzia ferro fundido e peças de artilharia para as armas reais.
Rico em belezas naturais, o concelho tem como ex-libris a Serra de Sicó e a Capela de Nossa Senhora dos Covões.
Outros pontos de interesse são a Casa Nobre ou Solar dos Pachecos, a Igreja Matriz de Alvaiázere, os Paços do Município, a Igreja de S. Pedro (Rego da Murta), a Igreja Matriz de Pussos e o chafariz da vila.
Também os miradouros da Serra de Alvaiázere, a mais elevada do Maciço de Sicó, apresentam cenários deslumbrantes onde se pode avistar a planície fértil de vinhedos e olivais e o vale do rio Nabão, ladeado por pinhais.
Alvaiázere é igualmente rico em algares, alguns considerados de interesse arqueológico.


(Clix - Filipe Moreira / Semantix)

Locais de interesse turístico

Praias fluviais
A par da Serra de Sicó e da Capela de Nossa Senhora dos Covões, os dois ex-libris do concelho e principais atracções turísticas, destaca-se ainda a praia fluvial da Ribeira de Alge que o actual executivo camarário quer recuperar para aproveitamento turístico.

Miradouros da Serra de Alvaiázere
Os miradouros da Serra de Alvaiázere, a mais alta do Maciço de Sicó, apresentam um cenário magnífico onde se pode avistar a planície fértil adornada de vinhedos e olivais e o vale do rio Nabão, emoldurado por frondosos pinhais.

Caverna ou Gruta de Algar de Água
Situada no lado nordeste da Serra de Alvaiázere, esta gruta tem uma porta de entrada em rocha viva. Com cerca de sete ou oito metros de altura, a Gruta de Algar de Água é muito escura, recebendo apenas um pequeno feixe de luz proveniente de uma clarabóia ao centro. Tem uma fonte de água e um fosso com estalactites e estalagmites que dá acesso a uma outra fonte sob a gruta para onde corre a água que vem de cima.
Há indícios de que esta gruta possa ter sido uma antiga mina de ouro.

Ruínas do castelo
Cinco quilómetros de circunferência e uma carreira de cavalos são, de acordo com a tradição popular de Alvaiázere, os vestígios de um antigo castelo de mouros. Não se sabe ao certo quem fez a muralha que cerca a circunferência, mas há quem acredite que serviu de habitação ao célebre pastor Gorgório, que conquistou a Lusitânia e dela se fez rei por volta de 1360 a.C.

Monumentos de Alvaiázere

Casa Nobre ou Solar dos Pachecos
Localizado na sede do concelho, o Solar dos Pachecos foi o local onde, segundo a tradição, Duarte Pacheco, assassino de D. Inês de Castro, se refugiou antes de fugir para Espanha. Este Solar foi pertença da família de Duarte Pacheco Pereira, um dos heróis portugueses que partiu para a Índia no século XVI.
Ainda hoje conserva o Brasão das armas dos Pachecos e o seu portal estilo maneirista.

Capela de Nossa Senhora dos Covões e Gruta
Templo religioso do século XVIII, a Capela de Nossa Senhora dos Covões destaca-se pelo seu altar-mor de traça muito antiga.
Na Gruta da Capela, localizada mesmo ao lado, terá aparecido a Senhora da Memória. Junto aos pés desta imagem, encontra-se uma corrente de ferro que, segundo a memória popular, foi ali colocada por um cristão prisioneiro dos mouros em sinal de gratidão pela sua liberdade.

Igreja Matriz de Alvaiázere
Padroada inicialmente pela Ordem dos Templários, a Igreja Matriz de Alvaiázere foi posteriormente pertença do mestrado da Ordem de Cristo.
Considerada a Igreja que maior reputação tem dentro desta Ordem, o templo religioso tem um relógio de grandes dimensões, provavelmente colocado durante o regime filipino, com a seguinte inscrição: "Quem me desmanchar, repare bem nos pontos, não me bote a perder – 1639".
Entre os elementos distintivos que apresenta, destacam-se as suas três naves e quatro colunas, a capela gótica com retábulo a representar a Última Ceia, o altar-mor de estilo renascentista e o seu relógio de grandes dimensões, armado por colunas de ferro.

Igreja de S. Pedro (Rego da Murta)
Datada do século XVIII, a Igreja de S. Pedro, em Rego de Murta, apresenta a pedra tumular brasonada de Manuel Vaz Ribeiro, cujo altar-mor possui um retábulo do século XIX.

Igreja Matriz de Pussos
A Igreja Matriz de Pussos destaca-se pelas pinturas do Professor Attyla de Vietemir, de nacionalidade Húngara, e lustres.

Chafariz da vila
Embora desconhecido o ano exacto da sua edificação, o chafariz da vila de Alvaiázere ostenta a data de 1842, ano em que foi remodelado. O monumento distingue-se pela sua curiosa cabeça barbada, rudemente esculpida.

Património Arqueológico

O concelho de Alvaiázere tem alguns algares considerados de interesse arqueológico.
São eles: o Algar do Cabeço da Loba, Algar do Campo, Algar da Feteira, Algar da Lapa e Algar do Miradouro.
No lado nordeste da Serra, existe um outro algar conhecido como o Algar da Água.
A sua porta de entrada é feita de rocha viva, podendo no interior caber cerca de 500 pessoas.
Por baixo da gruta, num fosso com estalactites e estalagmites, há fontes de água que dão vida à teoria de este local ter sido utilizado como mina de ouro em tempos remotos.

Lendas de Alvaiázere

Lenda de Nossa Senhora da Memória
Segundo a tradição popular, apareceu na gruta junto à Capela de Nossa Senhora dos Covões, em Alvaiázere, uma imagem de Nossa Senhora, a que o povo deu o nome de Senhora da Memória.
No local, foi colocada uma imagem da santa e aos seus pés encontra-se uma corrente de ferro que terá sido ali colocada por um cristão prisioneiro dos mouros. Reza a lenda que o cristão acordou certo dia e reparou que já não estava no mesmo local onde tinha adormecido, mas numa gruta e livre do inimigo. Com a imagem de Senhora da Memória à sua frente, ali depositou as correntes como sinal de gratidão pelo milagre da sua liberdade.

Lenda da Pastorinha
Segundo a tradição popular, uma pequena pastora da Serra guardava o seu rebanho quando encontrou na gruta, junto à Capela de Nossa Senhora dos Covões, a imagem da Senhora da Memória. A menina achou-a tão bonita que a levou para casa com a intenção de brincar com ela como se fosse uma boneca. Contudo, por várias vezes, a imagem desaparecia e a pastorinha ia encontrá-la no mesmo sítio de onde a tinha levado. A notícia espalhou-se pela freguesia e o desaparecimento da santa tornou-se um milagre.

Património gastronómico

Pratos regionais
Abóbora com Feijão Seco
Bucho Recheado
Carne de Rebolão
Chícharas (destaca-se o Festival Gastronómico do Chícharo)
Coelho à caçador
Leitão Assado
Lombada
Mexudas
Migas
Miolos fritos com lombo de porco
Papas de milho com couves
Tibornada

Doçaria
Bolo da Boca da Mata
Bolo de Casamento
Broazinhas
Fatias douradas
Filhós

Produtos com denominação de origem
Queijo do Rabaçal
Azeite tipificado na Denominação de Origem "Azeite do Ribatejo"
Vinho das Terras de Sicó

In Orelhas.pt

Como chegar
Lisboa => A1 no sentido Norte => Saída em Torres Novas, para a A23 (antigo IP6) => Saída para Tomar => Estrada N110, sentido Coimbra/Condeixa => IC3 no sentido Coimbra/Condeixa => sempre em frente até passar uma povoação chamada Pereiro => depois do Pereiro há um cruzamento => esquerda para Alvaiázere (para a direita é para Ferreira do Zêzere, em frente para Coimbra) => sempre em frente até Alvaiázere.

Publicado por Giesta às outubro 5, 2003 06:17 PM

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